Sunday, November 08, 2009
Resumo da semana
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Claudiomar Rolim Filho
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Friday, November 06, 2009
E o desânimo começa a nos vencer...
Assim que descemos no posto, começamos, loucamente, a tentar conseguir de qualquer maneira uma carona em direção à Praga. Estava começando a escurecer, o que nos preocupava cada mais pois, afinal, estávamos no começo do inverno europeu e a temperatura a noite facilmente chega nos dez, oito graus. Já era umas cinco da tarde e o friozão começou a surgir. Boto fé que devia estar por volta de uns quinze graus o que pode não ser tão frio assim, mas em um ambiente de vento contínuo, duas pessoas sem agasalhos e em exposição ao ambiente (uma vez que não ficávamos dentro da loja de conveniência pra poder pedir carona, mas sim do lado de fora esperando os carros pararem) podia fazer lá seus estragos. Começamos a ficar já sem esperanças, pois anoitecia e nada de conseguirmos um carro pra poder nos levar. Como parecia que nada ia sair dali, fomos a um hotel que pertencia ao posto e que era próximo de onde estávamos pra podermos checar se havia possibilidade de ficarmos hospedados lá por uma noite e pela manhã tentaríamos ter mais sorte. Diária? 100 Euros! É, parece que ou a gente conseguia uma carona ou íamos dormir na rua mesmo.

Voltamos para as bombas de gasolina e continuamos implorando (sim, o verbo certo era implorar mesmo! Nessa hora a ideia de viajar de carona não parecia mais tão divertida assim) para que alguém nos levasse. Até que um carro com uma mãe e sua filha adolescente parou para abastecer e Gosia perguntou se tinha como elas nos darem uma carona, nem que fosse pra cidade mais próxima para ficarmos em um albergue. A mulher não falava inglês, mas conseguimos nos comunicar com a sua filha. Explicamos nossa situação e sua mãe falou que tinha uma ideia melhor. Ela iria nos levar a outro posto de gasolina já que aquele que estávamos, segundo ela, era muito ruim pra pegar carona, pois o fluxo de caminhões era muito baixo e o posto era meio que um desvio da rodovia. Ela nos disse que iria nos levar a um outro posto, esse sim na rodovia, que lá era melhor para tentar conseguir algo. Entramos no carro e seguimos adiante. Uns quinze minutos depois elas nos deixaram lá e, não obstante, a mãe nos deu o celular dela dizendo que era pra ligarmos pra ela caso não conseguíssemos carona alguma. Pra que iríamos ligar? Bem, ela disse que se não conseguíssemos sair dali, ela iria nos buscar no posto, nos levar pra casa dela para lá passarmos uma noite e no outro dia de manhã poderíamos tentar a sorte. Resumindo, a mulher era UM ANJO!! Ela não só nos deu uma força, como se dispôs a recolher dois transeuntes no meio da rua e levar pra dentro da casa dela. Quase um amigo do Eion de saias. Perguntamos porque ela estava sendo tão gentil com a gente (cara, confesso seriamente que fiquei com medo dela levar meus rins) e ela explicou que cresceu na Alemanha Oriental e viajar de carona era a única maneira que ela tinha como viajar nos tempos da Cortina de Ferro. Devido a isso, sempre costumava ajudar mochileiros perdidos pela Alemanha.
Casa do Snoop
Elas nos deixaram no outro posto e seguiram viagem. Umas palavras de conforto e um encontro agradável como aquele que acabávamos de ter era tudo o que precisávamos para poder aumentar a moral da tropa. Ninguém dá carona pra quem chega com um semblante triste na face. Após descer do carro dela, eu e Gosia fomos na febre em cima dos motoristas pra ver se conseguíamos sair logo dali. Mas cara, foi rápido dessa vez. A tiazona realmente tinha razão. Gosia abordou um caminhoneiro, falando em inglês, e ele fez uma cara de que não entendia patavinas do que ela falava. Ele meio que falou gesticulou que não falava inglês. Nós meio que perguntamos de que país ele era e ele meio que respondeu que era da Polônia. Felicidade gerall! O cara era polaco!!

Gosia se empolgou e começou a falar com ele em polaco e perguntou se o cara poderia dar uma carona pra gente pra Praga. Ele ficou meio que chateado e falou que não era possível, já que, olha só, ele estava indo direto pra Vasórvia!! AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH!!! Não brinca, amigo!! Falamos pra ele que na verdade queríamos mesmo era ir pra Varsóvia, que Praga apenas estava no caminho. Ele falou que tudo bem e nos enfiou dentro do caminhão dele! Felicidade nível 5!!
O cara parecia ser gente boa, mas não falava inglês. Gosia meio que conversava um pouco com ele e depois conversava comigo. Ele vendo que eu tava meio entediado, perguntou se eu não queria beber algo e VLAPT! puxou uma gaveta de baixo do meu assento. O que surgiu?? Dezenas, MUITAS latas de cerveja geladas!! O cara tinha uma gaveta refrigerada dentro da boleia do caminhão dele!!! Algo como uma mini-geladeira! Gosia falou que não queria beber. O cara falou que não tinha problema e VLAPT! puxou outra gaveta e de lá tirou um queijo francês. Eu comecei a ficar impressionado com o tanto de coisa que tinha naquela boleia, cara! Parecia até a casa de cachorro do Snoop (pra quem não lembra do desenho animado. A casa do Snoop por fora parecia minúscula, mas quando ele entrava a casa o interior da casa era gigantesco! Parecia uma mansão! Coisa de desenho animado)! Eu perguntei pra ele se ele tinha mais alguma uma surpresa escondida por lá e o bicho VLAPT! puxou uma cortina que estava atras dos nossos bancos. O que surgiu? Uma grade de cerveja? Não!! Uma BELICHE!! O cara tinha uma BELICHE dentro da boleia do caminhão dele!! Pô depois de uma beliche o que eu comecei a procurar? Lógico! Perguntei pra ele se ele teria dentro do caminhão um chuveiro quente pra eu tomar um banho. E só servia se fosse quente! Gosia traduziu e ele falou que infelizmente não tinha, mas se eu quisesse outra cerveja, não havia problema!
Gosia segurando uma das latinhas de cerveja que ele nos deu
(repare que a latinha e' de uns 500 ml)
e o caminhoneiro segurando a sua gavetinha refrigerada magica!
Fomos conversando e viajando até que eu e Gosia resolvemos pedir pra ele nos deixar em Wroclaw, cidade polonesa no caminho que já havíamos sido hospedados. Po, dormir numa boleia de caminhão não parecia ser uma coisa muito agradável. Ele falou que tudo bem e nos largou por la. Ligamos pro couchsurfer que havia nos hospedado antes e ele falou que poderia nos hospedar mais uma noite sem problema. Dormimos por lá e no outro dia pegamos carona pra Varsóvia com um tiozão num carro bem rápido.
Chegávamos a Varsóvia, acabando por vez minhas viagens e estripulias com Gosia. Era hora de se preparar pra poder continuar caminho e viajar para Istambul na Turquia.
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Claudiomar Rolim Filho
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Wednesday, November 04, 2009
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Galera, esse feriado passei em uma fazenda. Sem internet, telefone e qualquer contato com o mundo civilizado. Acabei atrasando os posts, desculpe :)
Na foto eu e Emanuelzinho, um dos parceiros de viagem, na fazendo do glorioso Brunão...
1 - Anonymous comentou no post "A caminho de Munique”:
Grande Maranhão!
Já tem um tempo que leio o blog e queria perguntar algo, mas me sinto meio tímida... Bem, vamos lah, estou pensando em viajar pela África durante uns seis meses... Queria saber como é a questão da saudades.. é foda mesmo.. bate quando não tah tendo graça a lambuja.. como é isto e como foi para vc?
Valeu Velho!
R - Rapaz, saudade não costuma ser um problema tão sério não. No começo, quando você está se adaptando a tudo (arrumar casa, arrumar emprego, não conhece ninguém) é realmente complicado e você realmente sente MUITA falta da vida na sua casa. Você sente saudade da sua vida mansa e começa a se perguntar: O que diabos eu vim fazer aqui? Isso aconteceu comigo e fica bem claro em um dos posts que fiz ainda na Austrália (clique aqui) quando havia acabado de chegar. No post dá pra ter uma ideia do que eu tou falando. Sinta o sentimento de arrependimento e desespero carregados em cada palavra. Mas, cara, depois dos primeiros meses, quando você já está instalado, já tem emprego, amigos e começa a viajar, pô, aí fica mais de boa porque a saudade dos pais, dos amigos do Brasil é vencida pela excitação de conhecer novos lugares, novas pessoas, viajar, sair pra balada. No final você acaba esquecendo as partes ruins da viagem e vendo que o balanço foi MUITO positivo.
2 - Anônimo comentou:
Oi
Agora que o dólar está 1,70 , era hora de você pegar de novo a estrada!
R - Rapaz, se a galera que lê o blog fizer uma vaquinha, juro que eu faço isso por vocês. Porque ainda que o dólar esteja 0,50 o salário é raso e a grana é complicada, hehehe.
3 - Anônimo perguntou:
Maranhão
Essa polaquinha faz o que da vida?
Trampa, estuda...e o restante da galera que vc conheceu?
A coração gelado,o indiano que o recebeu...Como eles ganham a vida?
R - Cara, a Gosia, na última vez que falei com ela, tava ainda estudando e terminando a universidade. O Avinash também. A Coração Gelado hoje tá na Coréia do Sul dando aulas de inglês e fazendo o pé-de-meia dela por lá. Ela me falou que fazia uma grana boa trabalhando com isso e até me convidou pra ir lá pra Coréia dar aula também, mas, logicamente, não aceitei, ehehehe. Uma hora a gente tem que começar a levar a vida a sério, né?
4 - Thiagones postou em Free Hugs em Praga:
Versão espírito de porco do Free Hugs:
R – Vou respostando só porque eu acho que vale MUITO a pena ver esse vídeo. Ri MUITO enquanto o via, hehahahe. O ruim é que tem que saber falar inglês. Tem também a versão "Puxando Papo" do Free Hugs, um dos programas preferidos da casa:
5 - G. Aragao comentou no post "Er... casa sempre é importante...":
PERGUNTA PARA COMENTARIOS COMENTADOS:
Claudiomar... ja faz algum tempo que voce terminou a sua viagem e com certeza nao tem como voce lembrar de todos os detalhes/presepadas que acontecaram. Como voce fez para "guardar" todas essas estorias? Voce tinha um journal? gravava os acontecimentos num tape recorder?
Abracao!!
R – Vê que o cara foi bem direto, né? Botou logo nominalmente “PERGUNTA PARA COMENTÁRIOS COMENTADOS”. Cara, isso foi um percalço que tive no início da viagem. No começo eu apenas decorava as histórias e o que eu ia lembrando eu ia anotando. Isso era um problema muito complicado porque sempre que eu escrevia assim, umas semanas depois eu acabava lembrando de histórias que eu não havia postado. Devido a isso, no Camboja fui numa birosquinha e comprei um caderninho de anotações. Nele eu ia anotando algumas coisas pra sempre lembrar das histórias. Logicamente eu não anotava as histórias inteiras, mas apenas palavras que me fariam lembrar delas e assim reproduzí-las. Por exemplo eu anotei "Sede da BWM" para poder me lembrar da visita à sede da BMW. Assim, um ano depois, quando eu escrevi sobre Munique, eu consultei o caderninho e lembrei que eu deveria escrever sobre a visita à sede da BMW em Munique. E assim eu vou lembrando de centenas de histórias diferentes mesmo um ano depois delas ocorrerem. Antes de fazer o próximo post acerca do fim da carona até Varsóvia, eu vou, dou uma consultadinha no caderninho e começo a escrever. O que ocorreria se eu perdesse esse caderno? Meu amigo, não quero nem pensar nisso, hahahah
Página com anotações sobre a Suécia. Alguém consegue decifrar algo?
6 - Anonymous comentou acerca dos BMWs no post "Munique":
Aposto que o maranhense se tremeu todo só de chegar perto daqueles BMW
^_^
R - Hahahaha. Que é isso, rapaz? O carro é que tremia perto do maranhense aqui. Por pouco eles não me convidaram pra poder ficar de modelo lá apresentando os BMWs...
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Claudiomar Rolim Filho
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12:17 PM
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Saturday, October 31, 2009
Gordo só faz gordice
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Claudiomar Rolim Filho
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7:27 AM
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Friday, October 30, 2009
Thursday, October 29, 2009
Saindo de Munique...

Pela manhã acordamos e fomos dar um rolê por Munique. Nada de muito importante a não ser a visita à sede da BMW. O que rolou de mais louco quando estive nessa cidade foi que a segunda feira que eu estive em Munique foi a famosa “Segunda-Feira negra”. Eu sei que isso já faz mais de um ano e que nosso país acabou, graças a Deus, saindo bem dessa crise (nunca antes na história desse país...). Pra quem não lembra, a “Segunda-Feira negra” ocorreu quando o Banco Lehman Brothers decretou falência e desencadeou, assim, a crise mundial do ano passado.

Pra maioria da galera que tava na vida do “vou pro trabalho, volta pra casa e durmo” no Brasil, recebendo em real e gastando em real, a crise não foi muito sentida, uma vez que, como falei, o nosso país sofreu pouco com a crise. Por outro lado, pra mim que estava no exterior, olhar aqueles jornais com cenas catastróficas de bolsas mundiais despencando e desespero por toda a parte foi uma cena aterradora. Primeiro porque estava tudo em alemão e não dava pra entender PATAVINAS do que estava escrito e segundo, bem, segundo porque a minha grana em dólar já tava acabando e o pouco que eu tinha estava em reais e eu sabia que, uma hora ou outra, eu iria precisar pedir ajuda pro meu pai pra terminar a viagem e ele iria (assim como me ajudou) também com reais. Em menos de um mês eu vi o real se desvalorizar quase 0,70 centavos em relação ao dólar e a outras moedas como o Euro. Era realmente desesperador abrir o site da FolhaOnline e ver que o dólar tinha fechado o dia com valorização de cinco, sete por cento em UM DIA. Houve um dia, que ainda está bem claro na minha mente, que eu abri o site e vi o euro se valorizando quase DOZE por cento em um dia em relação ao real!!! Aquilo realmente foi desesperador e foi um dos motivos em eu adiantar a minha volta ao Brasil em quase um mês. Minha grana simplesmente virou farelo!!!

Depois de passearmos pela cidade, eu e Gosia fomos para a casa do Chris, amigo do Eion que falou que iria nos hospedar.
Preparei um arroz para comermos, conversamos um pouco com aquele cara meio doido (pombas, ele praticamente recolheu dois malucos pra dentro de casa e levou pra dormir) e fomos dormir. O figura foi gente boa demais! No outro dia acordamos cedo e saímos pra poder conseguir uma carona de volta pra Varsóvia.
Tentando volta a Varsóvia
Cara, que parto foi pra poder conseguirmos sair de Munique!! A cidade era GIGANTESCA e tava extremamente difícil achar a saída dela. Descemos em um ponto de ônibus e ficamos perdidos tentando achar onde deveríamos pegar a carona sabendo que bastava apenas virar uma esquina e achar a rua certa. De repente, uma simpática senhora alemã se aproximou da gente com um inglês muito engraçadinho (Excuseeee me!! Do you want some heeeelllppp??) e nos indicou o local. Agradecemos a ela e saímos no sentido indicado e, pimba, estávamos na saída da cidade. Ficamos um bom tempo tentando conseguir uma carona, mas realmente tava muito difícil lá.

Caminho que deveríamos seguir até Praga
Depois de mais ou menos uma ou duas horas, conseguimos uma carona, mas só pra 30 quilômetros depois. Bom, vamos lá, pelo menos sair da cidade e ficar em um posto no meio da auto-estrada facilitaria e muito a nossa vida. Chegamos no posto, compramos alguma coisa pra comer e ficamos pedindo carona pra cada um que entrava na loja de conveniência pra ver se alguém se sensibilizava e nos colocava pra dentro. Uma hora depois, nada de conseguirmos. Resolvemos mudar de estratégia e ficamos na saída do posto fazendo sinal de carona pra todos os carros/caminhões/bicicletas que saíam. Depois de uns quinze minutos um carro veio parando. Ôpa!! Uma carona.
Engraçado, o carro era meio diferente dos que estávamos acostumados a ver. Ele era azul, tinha uns detalhes em branco do lado... Eita porra!! POLÍCIA!! Era a polícia!! E tava vindo na nossa direção!! A polícia veio vindo e eu fui só pensando: - Bem, não era exatamente esse tipo de carona que eu esperava. Tá certo que cadeia é casa e comida de graça, mas não era muito o tipo de carona que eu esperava... O carro veio vindo, vindo e nós tentando aparentar tranquilidade fazendo que não era com a gente. Ele parou do nosso lado. Sim, era com a gente!! Eu pensei: - Pronto! Tou preso!! Nesse país facista do caralho tudo deve ser proibido! Deve ser proibido pegar carona também!!!”. Ficamos esperando o que ia rolar quando o vidrinho do carro foi baixando e o simpático guardinha foi falar comigo:
DOCUMENTO!!
Sim, não foi “Bom dia” não foi “Oi, tudo bom?” nada disso. O bicho só deu um grito no melhor estilo “DOCUMENTO, PORRA!!”. Dei meu passaporte, ele me fez algumas perguntas e depois nos deixou ir embora. Não tinha nada de errado, portanto ele não poderia fazer nada (não que ele não quisesse).
Depois dessa singela abordagem policial, continuamos na saída do posto, tremendo mais que trator em ponto morto devido o frio que dóia nos nossos ossos. Depois de mais ou menos uma hora, um simpático senhor parou seu caminhãozinho e nos ofereceu carona. Gosia enrolou um alemão lá com ele e ele falou que não iria para o nosso caminho, mas que só poderia nos deixar uns 70 quilômetros a frente em um posto um pouquinho mais movimentado. O dia realmente tava rendendo, em quase seis horas tínhamos conseguido viajar por volta de uns cem quilômetros. Só pra vocês utilizarem como base, se tívessemos ido a pé teríamos percorrido quase a metade disso.

TECLA Pause
Esse é um dos grandes problemas de viajar de carona. A gente tem até aquela imagem romântica, você em pé do lado da auto-estrada com os ventos batendo nos seus cabelos, viajando pra onde o vento lhe levar. Sem gastar nada, sem se preocupar com o tempo, apenas curtindo uma vida que teima em passar rápido demais. Quase uma mistura de um filme de James Dean e Indiana Jones. Beleza, realmente é desse jeito, cara!! NO COMEÇO é desse jeito. No começo tudo é novidade, você fica ali em pé com o braço estendido e só curtindo a onda. Mas, sério, imagina você depois de duas horas segurando uma maldita placa, com um braço estendido no calor ou no frio, sem que ninguém pare pra poder te ajudar? Bem, você imaginou. Era exatamente assim que eu estava me sentido depois de seis horas, e apenas 100 quilômetros depois, implorando pra que as pessoas nos enfiassem dentro dos carros delas. Sério, depois de uma hora, pedir carona começa a encher o saco...

Senhor, me dá um carona, pelamordedeus...
TECLA Play
O tiozão era até gente boa. Ele foi nos guiando e explicando várias coisas no caminho. Dizia que nutria uma certa simpatia por Hitler quando ele assumiu o poder na Alemanha. Falou que ele tinha feito importates reformas no país, mas depois de um tempo ele começou a ficar louco e matar todo mundo, aí ele não tinha ficado mais tão legal assim. Nos deixou em um posto e continuamos tentando ver se conseguíamos pelo menos dormir em Praga, um terço do trajeto até Varsóvia, mas já ajudava em alguma coisa.
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Claudiomar Rolim Filho
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4:51 PM
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